Artigos - Homens
O que é Vasectomia?

É a cirurgia que deixa o homem estéril (esterilização masculina). Em outras palavras, é a versão masculina da laqueadura. É uma cirurgia realizada sob anestesia local. Primeiramente é feita a palpação do canal deferente, que é o canal por onde os espermatozóides passam desde o testículo até a uretra. Através de uma pequena incisão na pele do escroto é feita a ligadura ou corte destes canais e amarradas as pontas. Depois a pele é fechada com um ou dois pontos de fio absorvível. O homem pode voltar dirigindo para casa. É solicitado repouso sexual por 7 dias e deve ser realizado um espermograma (exame do líquido seminal) depois de 60 dias para averiguar o sucesso da cirurgia. É um procedimento cirúrgico e, como tal, oferece os mesmos riscos que, por exemplo, a extração de um dente. As complicações como, hematomas, inflamações do testículo e infecções são raras. Em geral, o pós-operatório é bastante tranqüilo, alguns pacientes referem uma leve sensibilidade nos testículos durante alguns dias. A falha da cirurgia também pode ocorrer, mas é extremamente raro.


A vasectomia é reversível?

Este é um assunto que envolve muita confusão. A vasectomia é reversível sim, porém, a taxa de sucesso da cirurgia de reversão pode variar muito, dependendo do caso. Por exemplo: caso o homem tenha se submetido à vasectomia há mais de 5 anos, a possibilidade de sucesso é bem menor de que se ele tivesse sido operado há 2 anos. Outro ponto: a cirurgia de reversão é muito mais delicada e deve ser realizada em nível hospitalar, sob anestesia troncular, com a utilização de material de microcirurgia, incluindo microscópio. Se o homem planeja fazer uma vasectomia e não pára de pensar na reversão, então ele não está preparado para a cirurgia. Quem pode fazer a vasectomia?

De acordo com a lei 9.263, publicado no Diário Oficial da União em agosto de 1997, sobre a regulamentação do planejamento familiar, a vasectomia é indicada para homens acima de 25 anos ou, pelo menos, com dois filhos vivos ou nos casos onde a gravidez do cônjuge poderá gerar risco de vida. Na prática diária costuma-se dizer aos homens que devem eleger a vasectomia como um procedimento definitivo, apesar de sabermos que existe a possibilidade de reversão. O homem deve estar seguro de sua decisão e, principalmente, feliz com o relacionamento conjugal.


Quantos homens já realizaram a vasectomia no Brasil? E no mundo?

No Brasil é difícil precisar quantos foram os homens esterilizados por esta técnica. A maioria destes procedimentos não é coberta por planos de saúde e, por isso, é realizada em consultórios particulares sem a devida notificação do Ministério da Saúde. Com certeza a procura por este método vem crescendo na última década. No mundo, alguns países são famosos por realizarem esta cirurgia como principal método contraceptivo, como China e Índia. O número de vasectomias tem aumentado nas duas últimas décadas por várias razões, entre as quais: consciência de um planejamento familiar condizente com a escala social, praticidade da cirurgia, baixo índice de complicações, custo da cirurgia que é menos oneroso de que uma laqueadura da mulher, quebra dos tabus sobre impotência e câncer de próstata. A faixa etária que mais procura para esta cirurgia é o homem entre 35 e 45 anos.


Após a vasectomia, o homem pode se relacionar sexualmente normalmente?

Sem dúvida. Este, por sinal, é um dos grandes tabus associados à vasectomia em nosso meio. O corte do canal deferente apenas impede a chegada dos espermatozóides à uretra, fazendo com que ele fique retido dentro do testículo. O líquido seminal, produzido na próstata e na vesícula seminal, continua sendo eliminado normalmente durante a ejaculação. O volume do ejaculado continua o mesmo, apenas não está presente o espermatozóide. Este se degenera e é reabsorvido pelo próprio organismo. Com relação à função erétil ou potência sexual também não há nenhuma influência. Os nervos e vasos responsáveis pela ereção peniana não estão envolvidos durante a cirurgia de vasectomia. Não existe nenhuma relação anatômica entre as estruturas supracitadas e o canal deferente. Depois de realizada a vasectomia solicita - se ao paciente permanecer utilizando um método anticoncepcional até completar 60 dias porque alguns espermatozóides podem estar vivos dentro do canal deferente.


Qual a possibilidade do paciente apresentar problemas após a cirurgia? De que tipo?

A incidência de complicações pós-operatórias é muito baixa. Algumas são: dor, sangramento, hematomas e infecção. São complicações inerentes a qualquer cirurgia cutânea. Não existem complicações da esfera sexual. A recanalização do ducto deferente é uma possibilidade conhecida da ciência mas sua ocorrência é extremamente rara. Há relatos de casos em que houve demora em se atingir o desaparecimento dos espermatozóides do líquido seminal. Outros, revelaram presença intermitente de espermatozóides no sêmen, durante um certo período. Especula-se, se os casos de persistência de espermatozóides sejam decorrentes de problemas técnicos da cirurgia, todavia não existem estudos suficientes para que se tenha uma conclusão precisa. Por esta razão recomenda-se que a vasectomia seja feita sempre por um urologista. Mesmo assim, a vasectomia é considerada o método contraceptivo mais seguro que existe. Houve, ainda, uma especulação sobre a incidência aumentada de câncer de próstata em homens vasectomizados, porém, esta questão não se confirmou em estudos recentes e, atualmente, não se considera esta possibilidade como real.

Colaboraram na produção deste texto:
Eduardo Bertero e Carlos Alberto Bezerra.

 


 

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